• Lucas Cruz

Fiat e Renault: quem perde mais com a retirada da proposta de fusão?

As montadoras enfrentam crescente pressão para investir em novas tecnologias que devem pautar a indústria automotiva nos próximos anos

Quem perde mais? A julgar pela reação dos investidores, a montadora francesa Renault é quem tem desafios pela frente após sua concorrente italiana Fiat Chrysler ter retirado proposta de fusão entre as duas empresas. As ações da Renault estavam em queda de 7% por volta das 6h30 desta quinta-feira, enquanto as da Fiat caíam 0,3%.

A Fiat disse que continua “firmemente convencida” da racionalidade da proposta, mas que “as condições políticas na França não existem atualmente” para que a ideia seja bem-sucedida. O governo da França, dono de 15% da Renault, disse na quarta-feira que não aprovaria a proposta de fusão caso a japonesa Nissan não garantisse que a aliança de décadas com a Renault seguiria em vigor. A Nissan afirmou que se absteria de votar a proposta numa reunião de conselho da Renault. Os investidores da montadora japonesa não gostaram muito — as ações caíram 1,7% nesta quinta-feira.

O acordo criaria a terceira maior montadora do planeta, com 19 marcas, 400.000 funcionários e 8,7 milhões de carros vendidos por ano, atrás apenas de Volkswagen e Toyota. A união, apesar de complexa, fazia sentido na visão de analistas. Fiat Chrysler e Renault enfrentam crescente pressão para investir em novas tecnologias que devem pautar a indústria automotiva nos próximos, como os carros autônomos e elétricos, como mostra reportagem da revista EXAME.

Como mostra a reportagem, em 2018, a estimativa é que as vendas de veículos elétricos tenham atingido 2,1 milhões de unidades globalmente, alta de 64% sobre o ano anterior. É um mercado em que as montadoras tradicionais disputam espaço com as novatas, como a Tesla, do empreendedor americano Elon Musk, e a chinesa BYD, uma fabricante de baterias. Neste contexto, a Ford e a Volkswagen anunciaram parceria em janeiro. A Hyundai e a Audi colaboram para desenvolver carros movidos a hidrogênio. BMW e Mercedes, rivais históricas, pesquisas veículos autônomos. Sozinhas, Renault e Fiat Chrysler tendem a ficar mais para trás nessa corrida — mais a Renault que a Fiat, a julgar pela reação inicial dos investidores.

Fonte: exame.abril.com.br


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